A Agência de Notícias da Aids, referência nacional na cobertura de assuntos relacionados ao HIV/aids, às infecções sexualmente transmissíveis, aos direitos humanos e à saúde pública, publicou um perfil da médica brasileira Adele Benzaken.
Amazonense de Manaus, Adele é um dos expoentes da resposta brasileira e mundial ao HIV/aids e atualmente responde pela diretora médica global da Aids Healthcare Foundation, ONG que está presente em 50 países, garantindo tratamento para mais de 2,7 milhões de pessoas.
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Mês da Mulher: Dra. Adele Benzaken, entre a Amazônia e a resposta brasileira e global ao HIV/aids
A história da resposta brasileira ao HIV/aids também é feita por mulheres que transformaram a ciência e a saúde pública em ferramentas de justiça social. Entre elas está Adele Benzaken, médica e pesquisadora amazonense que, ao longo de mais de quatro décadas, ajudou a construir políticas públicas, ampliar o acesso ao diagnóstico e fortalecer estratégias de prevenção que impactaram não apenas o Brasil, mas também o cenário internacional de enfrentamento das infecções sexualmente transmissíveis.
Da Amazônia aos espaços globais de formulação de políticas de saúde, Benzaken construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com populações historicamente invisibilizadas e pela defesa de uma resposta ao HIV baseada em ciência, direitos humanos e acesso universal à saúde. Sua carreira reúne pesquisa científica, atuação clínica e gestão pública, consolidando-a como uma das vozes mais respeitadas da saúde pública brasileira no campo das ISTs e do HIV/Aids.
Raízes amazônicas e compromisso com a saúde pública
Formada em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em 1978, Adele Benzaken iniciou sua trajetória profissional no campo das doenças infecciosas, desenvolvendo uma carreira profundamente conectada aos desafios da saúde pública na região amazônica. Seu doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz) investigou a detecção da sífilis adquirida em comunidades de difícil acesso da Amazônia, destacando as dificuldades enfrentadas por populações que vivem longe dos grandes centros urbanos e dos serviços laboratoriais.
Entre 2007 e 2010, dirigiu a Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta, em Manaus, referência no estudo e tratamento de doenças infecciosas na região e referência nacional no campo das IST.
Liderança na resposta brasileira ao HIV
Entre 2016 e 2019, Benzaken assumiu a direção do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Durante sua gestão, o Brasil avançou na ampliação da testagem para HIV, na expansão do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) e na redução de casos de transmissão vertical. O período também foi marcado pelo fortalecimento das estratégias de prevenção combinada e pela ampliação do diálogo com populações-chave mais afetadas pela epidemia.
Contribuição para a resposta global
Além de sua atuação no Brasil, Adele Benzaken também desempenhou um papel relevante em organismos internacionais ligados à saúde pública. Ela integrou o comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), participou do comitê de certificação para eliminação da sífilis e do HIV da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e atuou como diretora regional para a América Latina da International Union Against Sexually Transmitted Infections (IUSTI). Também foi membro da diretoria da International Society for Sexually Transmitted Diseases Research (ISSTDR).
Reconhecimento e legado
Ao longo de sua trajetória, Benzaken recebeu diversos reconhecimentos por sua contribuição à ciência e à saúde pública. Entre eles está a Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2023, uma das mais importantes honrarias concedidas a pesquisadores no Brasil.
Ciência, direitos e transformação social
Com uma carreira construída entre a pesquisa científica, a gestão pública e a defesa do direito à saúde, Adele Benzaken permanece como uma das vozes mais influentes da resposta ao HIV/Aids no Brasil e no cenário internacional.