A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo chega à 30ª edição enfrentando fuga de patrocinadores e ofensiva por parte do Poder Legislativo da capital paulista.
Em maio de 2026, a Câmara Municipal aprovou em primeiro turno um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo acompanhados pelos pais ou responsáveis.
O texto também impede a ocupação e interdição de vias públicas para a realização desses eventos e determina que ocorram apenas em espaços fechados, sob pena de multa. Isso inclui a Parada do Orgulho LGBT+, que acontece na Avenida Paulista desde 1997.
Duas ações ajuizadas no Supremo Tribunal Federal (STF) questionam uma lei similar do estado do Amazonas e já contam com cinco votos favoráveis para tornar a matéria inconstitucional.
Outra dificuldade enfrentada pela Parada de São Paulo, considerada um dos maiores eventos de diversidade do mundo, é a queda de 60% na receita com patrocínios. Em 2023 e 2024, o evento teve 19 patrocinadores confirmados. Para este ano, apenas três marcas confirmaram apoio.
Para Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil e um dos fundadores da Parada LGBT de São Paulo, isso denota oportunismo ao enxergar a diversidade apenas como estratégia de marketing por conveniência, não como política institucional.
“É também reflexo de uma sociedade em parte reacionária, que dorme e acorda pensando em como silenciar pessoas e aniquilar direitos. Fazem isso por ódio, disfarçado de fervor religioso e objetivo político. Só esquecem que nossa comunidade é atenta, destemida e se recusa a voltar a viver nas sombras”, comenta.
Neste ano, a Parada de SP tem como tema “A rua convoca, a urna confirma”, reforçando a importância da ocupação das ruas como espaço de mobilização política e de reivindicação de direitos que reforcem os avanços conquistados pela população LGBT+ nas últimas décadas.
A Parada acontece neste domingo, 7 de junho, com concentração às 10h na Avenida Paulista, perto da Rua Peixoto Gomide (próximo ao Masp). A AHF Brasil estará no trio de número 3, juntamente com outras ONGs de HIV/aids e direitos humanos, como a Impulse SP e o Movimento Paulistano de Luta contra a Aids.
A AHF mantém em São Paulo a Clínica Comunitária de Saúde Sexual, com consultas, aconselhamento, testagem e tratamento 100% gratuitos para HIV, sífilis, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis.





