Não é somente no Julho Amarelo que a gente fala da conscientização sobre as hepatites virais, um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.
Hepatites são infecções que atingem o fígado e causam alterações que podem ser leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes, são silenciosas. Mas, quando surgem sintomas, podem se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem, ainda, os vírus D (mais comum na região Norte) e E, que é menos frequente no Brasil.
As infecções pelos vírus B, C e D geralmente se tornam crônicas. Mas, por nem sempre apresentarem sintomas, a maioria das pessoas nem sabem que têm a infecção.
“Como as hepatites podem evoluir por anos, quanto mais tempo demorar para fazer o diagnóstico correto, maior será a chance da infecção comprometer o fígado de forma grave, levando à cirrose, ao câncer e à necessidade de transplante”, alerta Daniel Figueiredo, diretor médico da Clínica Comunitária de Saúde Sexual, mantida pela AHF em São Paulo.
Boas notícias, mas sem baixar a guarda
Nos últimos dez anos, o número de casos e óbitos por hepatites virais caiu no Brasil, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026.
Entre 2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5% (de 14,8 mil para 11 mil) e os de hepatite C, 34% (de 25,8 mil para 17 mil).
No mesmo período, as mortes por hepatite B caíram 31,9% (de 451 para 307). Na hepatite C, a redução foi de 61,5% (de 2.028 para 780 óbitos).
Prevenção e tratamento
No SUS, tem vacina contra as hepatites A e B e tratamento para as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, com a vacinação iniciada ao nascer. Quem nunca se vacinou ou está com o esquema incompleto também pode tomar a vacina.
No caso da hepatite A, a vacina faz parte do calendário infantil (dose única aos 15 meses). Também é indicada para pessoas que vivem com HIV, usam PrEP, são imunossuprimidas, candidatas a transplante ou têm condições específicas, como doenças crônicas do fígado, hepatites B ou C e coagulopatias, entre outras.
Para a hepatite C, o SUS oferece antivirais para adultos e crianças a partir de 3 anos, com taxas de cura acima de 95%. Para a hepatite B, o SUS oferece tratamento contínuo às pessoas com indicação clínica, reduzindo o risco de progressão da doença e de complicações.
Faça o teste
Se der positivo, tem tratamento. No Brasil, os testes de hepatite B e outras hepatites virais estão disponíveis no SUS. As clínicas da AHF no Recife (homens e população trans) e São Paulo (qualquer pessoa) também oferecem testagem de maneira 100% gratuita e sem estigma. Os endereços estão aqui.





