Foto: João Risi/MS
Após atingir por dois anos seguidos o principal critério internacional para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública, a chamada transmissão vertical, o Brasil entregou à Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) o dossiê com as evidências que embasam o pedido de certificação.
Entre 2024 e 2025, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos apresentaram infecção ativa pelo vírus, resultado que atende ao parâmetro global para a certificação. No ano passado, o índice foi de 0,0111%, e a nova fórmula de cálculo, atualizada em 2026, também confirmou que o Brasil atende a esse critério.
“O dia de hoje é muito importante para uma luta que travamos há décadas contra as hepatites virais. Estamos entregando formalmente o relatório que demonstra, com base no nosso monitoramento, que o Brasil alcançou as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A entrega do dossiê foi feita em cerimônia no Rio de Janeiro em 28 de julho último, Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, na presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, e do diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.
Conjunto de indicadores
Outro indicador importante para a certificação é a cobertura de pré-natal, que deve ser igual ou superior a 95%. No Brasil, mais de 98% das gestantes realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025.
Além disso, as metas de cobertura vacinal precisam ser mantidas por pelo menos dois anos consecutivos. A vacinação contra a hepatite B nas primeiras horas de vida alcançou cobertura de 97% em 2024 e 100% em 2025, acima do mínimo de 90%.
A eliminação da transmissão vertical da hepatite B faz parte de uma estratégia internacional de enfrentamento às infecções. Após receber, em dezembro de 2025, a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV,o Brasil assumiu o compromisso de, até 2030, eliminar como problemas de saúde pública as demais quatro infecções de transmissão vertical: hepatite B, sífilis, doença de Chagas e HTLV, consolidando o país como referência mundial na prevenção dessas doenças.
Com a entrega do dossiê da hepatite B, o pedido de certificação será avaliado pela OPAS, revisado por um comitê externo de especialistas e, posteriormente, analisado pelo Comitê Global de Validação da OMS.
Beto Jesus, diretor da AHF Brasil, diz que a eliminação da transmissão vertical da hepatite B, assim como já ocorreu com o HIV, é resultado de uma rede de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS.
“Testagem no pré-natal e no parto, testagem de sangue doado, tratamento antiviral, vacina, aconselhamento, campanhas informativas sobre saúde sexual – afinal, a hepatite B é também uma infecção sexualmente transmissível; tudo isso só é possível graças a um sistema de saúde público e universal”, comenta.
Faça o teste
Se der positivo, tem tratamento. No Brasil, os testes de hepatite B e outras hepatites virais estão disponíveis no SUS. As clínicas da AHF no Recife (homens e população trans) e São Paulo (qualquer pessoa) também oferecem testagem de maneira 100% gratuita e sem estigma. Os endereços estão aqui.
Com informações do Ministério da Saúde.





