Se algo não sair como planejado na hora do sexo, conte com a PEP

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Gabriela

E no meio da transa com aquela pessoa delícia que você acabou de conhecer, algo estranho acontece:

– Eita, a camisinha rompeu! Mas será que a gente usou?, pergunta a figura.

Vocês se olham e dizem: 

– E agora? Será que pegamos algo? E se for HIV? Ou então outra coisa? E se não for nada?

Surgem mil perguntas. Coração na boca. Não importa a hora – pode ser manhã, tarde, noite ou madrugada. Não importa onde – em casa, no motel, em algum lugar inusitado.

Só tem uma coisa que vocês podem fazer para acabar com a dúvida: ir ao serviço de saúde mais próximo e pedir a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), estratégia que utiliza medicamentos para prevenir a infecção pelo HIV depois de uma possível exposição ao vírus.

Vale para casos de relação sexual desprotegida, como o que acabamos de relatar, mas também para situações de violência sexual ou acidentes ocupacionais. 

Na PEP, são utilizados os mesmos antirretrovirais do tratamento de pessoas que já vivem com HIV. Esses medicamentos bloqueiam a replicação do vírus no organismo e ajudam a controlar a progressão da infecção.

Por ser uma opção de emergência, a PEP deve obrigatoriamente ser iniciada em até 72 horas após a possível exposição, e a pessoa precisa tomar os medicamentos por 28 dias.

PEP só serve para HIV

É importante ficar bem claro: a PEP só é eficaz contra o HIV. Ela não funciona para outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, clamídia, hepatites, herpes ou gonorreia. Nesses casos, a forma mais eficaz de prevenção é o uso de preservativo combinado com vacinas (dependendo da IST).

A PEP é oferecida no SUS. Também tem na Clínica Comunitária de Saúde Sexual da AHF em São Paulo para qualquer pessoa, além de consulta, aconselhamento, teste rápido (de HIV e outras IST), preservativo, lubrificante e medicação. É tudo 100% gratuito, confidencial, sem julgamento e não precisa agendar. O endereço está aqui.

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, ressalta que essas estratégias “são fundamentais no que chamamos de prevenção combinada, que nada mais é que um conjunto de abordagens preventivas que se adaptam ao estilo de vida e às práticas sexuais de cada pessoa”.

Em 2026, o SUS passou a oferecer a doxiciclina como estratégia de prevenção para sífilis e clamídia. O antibiótico também precisa ser administrado em até 72 horas após a exposição (idealmente nas primeiras 24 horas).