Dia Mundial da Tuberculose: como reduzir casos no Brasil e na América Latina

Rodrigo Hilario
Rodrigo Hilario

A tuberculose continua a ser um importante problema de saúde pública na região da América Latina e Caribe. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a região abriga dois dos 20 países (Brasil e Peru) com mais casos e mortes pela doença no mundo.

Em 2020, foram estimados 283 mil casos novos de tuberculose na região, com uma taxa de incidência de 24 casos por 100 mil habitantes. Os países com maior incidência na região são Brasil, Peru, México e Haiti.

O Brasil sozinho responde por cerca de um terço de todos os novos casos de tuberculose na região. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde brasileiro mostram que, em 2022, foram registrados 78 mil novos casos da doença no país, com aumento de 4,9% no número de casos, na comparação com 2021. Os estados com os maiores índices de tuberculose são o Amazonas, o Rio de Janeiro e Roraima. Em 2021, 5 mil pessoas morreram de tuberculose no país, o maior número dos últimos 10 anos. A doença é a primeira causa de óbito entre as pessoas que vivem com HIV/aids.

A taxa de interrupção do tratamento subiu de 12%, em 2019, para 14% em 2020. Os homens de 20 a 64 anos apresentam risco três vezes maior de adoecimento por tuberculose do que as mulheres da mesma faixa etária. Os casos de cura da doença caíram: de 73,8% em 2019 para 66,5% em 2021. A redução da cobertura vacinal, de 95% em média, até 2018, para 88% a partir de 2019 também é uma preocupação entre as autoridades de saúde brasileiras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o Brasil um país prioritário para o controle da tuberculose. Entre as metas do Ministério da Saúde brasileiro para os próximos anos estão a redução de 90% do coeficiente de incidência e o alcance da taxa de menos de 10 casos por 100 mil habitantes até 2035.

Um dos principais desafios na luta contra a doença na região é a alta prevalência de coinfecção TB/HIV, com aproximadamente 15% dos pacientes com tuberculose também vivendo com HIV. Outros fatores que contribuem para os altos índices na região são as más condições de vida, o acesso limitado aos cuidados de saúde e o financiamento insuficiente para os programas de controle da tuberculose.

Entre as condições para o alto impacto da tuberculose na AL estão a pobreza, a desnutrição e a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade. Segundo a OPAS, até 2021, aproximadamente 30% da população da América Latina carecia de acesso a serviços básicos de saúde, impedindo que campanhas de informação e diagnóstico da doença cheguem às comunidades mais vulneráveis.

Outro desafio é o surgimento de cepas da doença resistentes a medicamentos. A baixa adesão ao tratamento gera resistência aos remédios, o que dificulta o tratamento e gera maiores custos para a saúde pública.

Na América Latina, cerca de dois em cada 100 casos notificados são resistentes a medicamentos de primeira linha, como a rifampicina. Destaca-se o caso do Peru, onde quatro em cada 100 pacientes apresentam resistência a medicamentos ou multirresistência (OPAS).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020, foram estimadas 28 mil mortes por tuberculose na América Latina e Caribe. Junto com a aids, é uma das doenças infecciosas que mais mortes causam na região.

Segundo estimativas do Fundo Global de Resposta à AIDS, Tuberculose e Malária, são necessários US$ 13 bilhões por ano para a prevenção, diagnóstico, tratamento e atenção à tuberculose, a fim de atingir a meta global acordada na Conferência de Alto Nível das Nações Unidas. A erradicação da tuberculose faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.

Em suma, o financiamento em países de baixa e média renda, onde ocorrem 98% dos casos notificados de tuberculose, é muito menor do que o necessário. Os gastos em 2020 totalizaram US$ 5,3 bilhões, menos da metade (41%) da meta global.

Apesar desses números, a tuberculose é uma doença curável e evitável que continua sendo um importante problema de saúde pública na América Latina. Esforços contínuos para controlá-la e erradicá-la são necessários.

A AHF, como organização mundial de saúde pública, trabalha em 45 países junto com a sociedade civil, doadores e agências governamentais para acabar com a tuberculose por meio de um plano de 10 pontos:

  • Garantir que haja um fundo de US$ 5 milhões, para prevenção, epidemiologia, testes, tratamento, treinamento e pesquisa, com o objetivo de vencer a tuberculose em todo o mundo com foco nos países com maior incidência.
  • Acesso universal aos melhores medicamentos para tuberculose, inclusive aqueles que reduzem o tempo do tratamento.
  • Reduzir drasticamente o número de pacientes com tuberculose não diagnosticados por meio de programas de teste em larga escala e rastreamento de contatos.
  • Intensificar a participação de ONGs em programas de planejamento, divulgação e adesão em nível local, nacional e global
  • Integração dos serviços de tuberculose com HIV e configurações de cuidados primários.
  • Treinamento para todos os profissionais de saúde em áreas de alta prevalência e produção de materiais educacionais de alta qualidade.
  • Implementação de políticas e procedimentos universais de controle de infecção da tuberculose, para proteger funcionários e pacientes em ambientes de saúde.
  • Lançar programas de testes especializados para lidar com a tuberculose de início tardio, para reduzir mortes e infecções desnecessárias.
  • Implementar terapia de prevenção de tuberculose de curto prazo para populações vulneráveis.
  • Envolver pacientes curados e ativos como embaixadores em campanhas para melhorar a adesão ao tratamento.