Aumento de HIV em idosos acende alerta em meio a avanços no Brasil

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Gabriela

Os casos de HIV em idosos se tornaram uma das principais preocupações dos epidemiologistas no mundo. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/Aids do Ministério da Saúde revelam um aumento de 441% no número de diagnósticos nessa faixa etária entre 2012 e 2022. No período, foram 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais.

Uma das razões para o aumento, apontam especialistas, é que os idosos muitas vezes não se veem como pessoas vulneráveis à infecção pelo HIV. Uma das principais razões é que esse grupo, independentemente do sexo, não iniciou a vida sexual dentro da cultura de uso do preservativo.

“Graças às medicações para disfunção erétil, às redes sociais, aos aplicativos de relacionamento, as pessoas têm mais acesso a relacionamentos eventuais”, disse a infectologista Gisele Cristina Gosuen, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp).

“[Mas, além de não existir o hábito de usar camisinha], a preocupação sempre foi com relação à gestação não desejada, não de adquirir uma infecção sexualmente transmissível”, enfatizou Gosuen, em entrevista ao portal Brasil de Fato durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no fim de julho, no Rio de Janeiro

Sobre as conquistas dos últimos anos, Gosuen destacou que o Brasil conseguiu avançar, eliminando a transmissão vertical do HIV entre a gestante e o bebê, feito reconhecido pela Organização Mundial da Saúde em dezembro de 2025. 

“É motivo de muito orgulho para nós brasileiros, por conta de acabar o risco de transmissão nessa população específica [e dar mais] tranquilidade para que as mulheres que vivem com HIV se sintam confortáveis para engravidar e, posteriormente, para poder ter o filho sem se preocupar com a transmissão, o que era algo muito preocupante no início.”

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, acrescenta que o acesso a testes, métodos de prevenção e medicamentos também contribui para os bons resultados.

“Temos desafios e problemas, é claro, mas esses avanços só foram possíveis porque aqui existe o SUS. Há muitos anos a taxa de prevalência do HIV no Brasil gira em torno de 0,6% da população adulta, 28 vezes menor que a da África do Sul, por exemplo. Sem um sistema de saúde público e universal, e sem as políticas públicas implementadas ao longo dos últimos 40 anos, seria a barbárie”, diz Beto de Jesus.

Faça o teste de HIV

Se der positivo, tem tratamento. No Brasil, os testes estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. As clínicas da AHF no Recife (homens e população trans) e São Paulo (qualquer pessoa) também oferecem testagem de maneira 100% gratuita e sem estigma. Os endereços estão aqui.