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Sem medo do sexo oral

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Guilherme

Sexo oral é aquele negócio: (quase) todo mundo acha bom e (quase) todo mundo gosta (de fazer e/ou de receber), mas requer alguns cuidados

A modalidade boca naquilo e aquilo na boca, quando feita sem preservativo, aumenta o risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST), pois o contato entre mucosa da boca e secreções facilita a proliferação de vírus e bactérias. Entre as mais comuns infecções transmitidas pelo sexo oral está a sífilis – a que mais preocupa os especialistas atualmente, devido ao aumento de casos nos últimos anos, não só no Brasil, mas em todo o mundo. 

Além dela, quem pratica sexo oral sem proteção pode contrair gonorreia, clamídia, hepatites, HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) e herpes, entre outras. O contato entre a boca e o genital pode favorecer o surgimento de uma ou até várias IST ao mesmo tempo. O risco aumenta quando há lesões na genitália ou na boca – tanto para quem faz, como para quem recebe o estímulo sexual.

Nos homens, o esperma pode contaminar quem está fazendo o sexo oral. Nas mulheres, a lubrificação da vagina pode conter algum vírus ou bactéria. Além disso, a anatomia e as características do genital feminino, revestido interna e externamente por mucosas muito finas, favorecem o surgimento de microfissuras, que facilitam a entrada de agentes causadores de infecções.

Quando o sexo oral é feito na região do ânus, cresce a chance de infecção pelo vírus da hepatite A, transmitido por meio do contato, ainda que acidental, com micropartículas de fezes. Qualquer que seja o comportamento sexual, o preservativo interno ou externo é a principal forma de prevenir as IST. Veja abaixo as infecções que podem ser contraídas durante o sexo oral sem proteção.

SÍFILIS – Mesmo sendo curável, com diagnóstico e tratamento oferecidos gratuitamente no Sistema Único de Saúde, mais de 213 mil brasileiros foram diagnosticados com sífilis em 2022, a partir da infecção por relação sexual sem camisinha – de acordo com o Ministério da Saúde. A população mais afetada é a de mulheres, especialmente negras e jovens, na faixa etária de 20 a 29 anos.

A sífilis é uma infecção silenciosa, causada por uma bactéria (Treponema pallidum), que pode comprometer genitais, garganta e boca. É transmitida tanto na penetração quanto no sexo oral. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue e o tratamento, com antibióticos.

São quatro as fases da sífilis: primária, secundária, latente e terciária.

Na sífilis primária, uma ferida, geralmente única, surge no local de entrada da bactéria (vulva, vagina, pênis, colo uterino, ânus, boca ou outro local da pele) em até 90 dias após a infecção. Essa lesão é normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Na secundária, os sinais e sintomas aparecem entre 6 semanas e 6 meses do surgimento e cicatrização da ferida inicial. Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.

A fase latente é assintomática, quando a pessoa infectada não apresenta sinal e/ou sintomas, e pode durar anos. A maioria dos diagnósticos ocorre neste estágio.

No formato terciário, os sintomas podem surgir de 2 a 40 anos depois da infecção. A pessoa costuma apresentar sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, que podem levar à morte.

O tratamento ocorre com antibiótico e a melhor forma de prevenção é usando camisinha feminina ou masculina.

GONORREIA E CLAMÍDIA – São IST causadas por bactérias (Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, respectivamente) que, na maioria das vezes estão associadas, causando a infecção que atinge órgãos genitais, garganta e olhos. Os sintomas mais frequentes são corrimento vaginal, dor no baixo, corrimento no pênis e dor ao urinar. É comum, porém, existirem casos assintomáticos. Se não forem tratadas, podem causar Doença Inflamatória Pélvica, infertilidade e dor durante as relações sexuais.

A transmissão é sexual e o uso da camisinha é a melhor forma de prevenção. Na presença de qualquer sinal ou sintoma, recomenda-se procurar um serviço de saúde para o diagnóstico correto e indicação do tratamento com antibiótico. As parcerias sexuais devem ser tratadas, ainda que não apresentem sinais e sintomas.

HPV – Essa infecção sexualmente transmissível ocorre por meio do papilomavírus humano. O HPV provoca verrugas na região genital, oral e anal. O principal meio de contágio ocorre pela via sexual, que pode ser pelo contato oral-genital, genital-genital ou até manual-genital.

É importante tratar o quanto antes, pois a infecção pode evoluir para câncer do colo do útero, além de também ser um agente importante por trás de tumores no ânus, na cabeça e no pescoço. A linha terapêutica consiste na cauterização e eliminação das verrugas existentes. A maneira mais fácil de proteção acontece por meio das vacinas, disponíveis na rede pública para grupos específicos. O ideal é que a vacinação seja feita antes de iniciar a vida sexual.

HEPATITES – Essas infecções são as principais causas de doença hepática crônica, cirrose hepática e câncer no fígado. A transmissão da hepatite A é por meio de vias orais-fecais. Ou seja, é possível contrair a infecção no sexo oral e em qualquer atividade sexual. A mais comum é pelo ânus. Não há tratamento específico. A recomendação é lavar bem as mãos e alimentos, usar preservativos, lavar genitália, períneo e região anal após transar e higienizar vibradores e outros brinquedos sexuais.

No tipo B, a contaminação pode ocorrer por uma lesão na boca, por contato com o sêmen e pelo canal vaginal ou anal. O tratamento é feito com antivirais. O tipo C geralmente está ligado ao manejo de objetos contaminados, como alicates, tesouras e lâminas de barbear/depilar, além de agulhas e seringas  . O tratamento ocorre com antivirais.

HERPES – Essa IST é provocada por um vírus que se divide nos tipos 1 e 2. No primeiro caso, o surgimento de “bolhas” é mais comum na região oral. Já no 2, os sintomas podem aparecer na região genital. Com o sexo oral desprotegido, a contaminação ocorre de forma cruzada e o tipo genital pode se manifestar na cavidade oral. Requer diagnóstico médico e tratamento específico.

HIV – Embora seja menos comum, é possível infectar-se com HIV por meio do sexo oral. No entanto, para que isso aconteça, é necessária uma quantidade de vírus elevada, além da parceria ter alguma ferida ou machucado na boca ou garganta.

Com informações do Ministério da Saúde e da BBC News Brasil.