Gays e bissexuais usam mais camisinha que heteros

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Guilherme

Um estudo sobre o comportamento sexual de homens cisgêneros brasileiros revela que somente 25,7% dos heterossexuais usaram preservativo em todas as relações sexuais no último ano, enquanto entre gays e bissexuais o indicador foi de 56,3% (mais que o dobro). A diferença se mantém quando analisadas as respostas sobre a última transa: 80,5% dos gays e bissexuais disseram ter usado camisinha, contra 41,1% dos héteros o fizeram.

Entre os participantes gays e bissexuais que moram com o parceiro, a equipe constatou que 37,9% usam preservativo de maneira contínua. Entre os que não vivem com o cônjuge, o percentual foi de 62,4%. O padrão se aplica também aos heteros: apenas 13,4% dos que moram com as parceiras usam camisinha, contra 57% dos que não vivem com a companheira.

Além dos dados sobre uso do preservativo e orientação sexual declarada dos indivíduos, o levantamento mostrou que gays e bissexuais relataram IST em proporção quase dez vezes maior do que os héteros – 6% contra 0,5%, respectivamente. Para os pesquisadores, isso ocorre ou pela maior exposição a situações de risco ou porque gays e bi fazem com mais frequência os testes de HIV, sífilis e hepatites, o que aumenta a chance de detectar uma infecção.

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, comenta que, apesar da camisinha (principalmente a externa) ser bastante conhecida pela população, 60% das pessoas com mais de 18 anos afirmam não usar nenhuma vez nas relações sexuais. “É um paradoxo das estratégias de enfrentamento do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), pois apesar da existência de diversos métodos preventivos, o preservativo continua sendo eficaz, barato, acessível e fácil de usar”.

Para ele, é fundamental pensar na prevenção como um ato de autocuidado; desconstruir a ideia de ‘grupo de risco’, pois ela só contribui para aumentar o estigma e a discriminação; e ampliar e diversificar as estratégias e campanhas de prevenção. “Temos outros métodos de prevenção? Sim, e isso é ótimo. Mas não significa que a camisinha saiu de cena, até porque ela é a única forma de prevenção em larga escala disponível no SUS para ISTs que não têm vacina, como sífilis e gonorreia. Por isso, temos sempre que falar sobre camisinha, principalmente entre as pessoas mais jovens”, explica Beto de Jesus.

Publicado em junho na revista Ciência & Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o estudo foi elaborado por pesquisadores de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, com base nas respostas de 30 mil homens cis sexualmente ativos de 18 a 59 anos. Os dados foram coletados na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.