Terminou o Carnaval, e agora vem aquela fase em que as pessoas costumam reservar um tempo para cuidar da saúde após os excessos durante a folia. Somente em Salvador, foram 300 novos casos de ISTs durante o Carnaval, principalmente de sífilis (84% dos diagnósticos).
Um dos pontos que merecem atenção são as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), pois muitas delas podem não ter sintomas e evoluir de forma silenciosa, o que facilita a disseminação. Por isso, a testagem é essencial.
HIV, sífilis, hepatites virais, HPV, clamídia e gonorreia estão entre as ISTs mais comuns. Embora tenham características diferentes, muitas vezes a infecção se instala em regiões do corpo onde ocorrem apenas inflamações leves, que passam despercebidas, como na mucosa genital, anal ou oral.
“Nem toda IST, principalmente na fase inicial da infecção, vai dar sintomas como febre, secreção, ferida ou dor. Muitas passam despercebidas, pois é comum que surgirem sintomas leves, que desaparecem rapidamente, fazendo com que muitas pessoas não deem a devida importância”, alerta o diretor da AHF Brasil, Beto de Jesus.
Ele lembra que é comum as pessoas terem múltiplas parcerias sexuais durante o Carnaval e recomenda ir ao serviço de saúde mais próximo para fazer os testes de HIV, sífilis e hepatites virais, além de outras infecções, conforme avaliação profissional.
“Isso vale mesmo para quem não está sentindo nada, pois muitas ISTs são transmitidas ainda na fase assintomática. Por isso a testagem é fundamental, tanto para o cuidado individual como para interromper a cadeia de transmissão para outras pessoas”, avalia Beto de Jesus.
Em entrevista ao G1, o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, comenta que entre as ISTs frequentemente associadas à ausência de sintomas estão clamídia e gonorreia, principalmente em mulheres, além de infecções na garganta e no reto. Outras, como hepatite B e C, HIV e sífilis, podem permanecer silenciosas por longos períodos.
Segundo Croda, o HIV pode provocar sintomas parecidos com os de uma gripe na fase inicial — ou não causar sinal perceptível. O herpes pode ter períodos sem lesões e a sífilis pode começar com uma ferida pequena e indolor que desaparece sozinha.
Vá ao serviço de saúde mais próximo se surgirem sinais como: dor ou ardor ao urinar, corrimento discreto, coceira na região genital-anal, dor pélvica discreta, aumento de ínguas nas virilhas, pequenas verrugas ou feridas indolores na região genital, dor e secreção anal, dor na relação sexual e dor de garganta persistente após o sexo oral.
As clínicas da AHF em São Paulo (população geral) e no Recife (homens e pessoas trans) oferecem aconselhamento, testagem e tratamento 100% gratuitos e sem preconceito. Os endereços estão aqui.