Fake News sobre aids e vacinas volta a circular

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Guilherme

Na última semana de 2025, voltou a circular nas redes sociais a fake news sobre uma tal de VAIDS, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida por Vacina, algo que simplesmente não existe.

O Ministério da Saúde precisou intervir e rechaçou mais este desserviço à saúde pública do país. Em uma publicação no Instagram, a pasta afirmou que não há nenhuma evidência científica de que vacinas causem imunodeficiência e que os imunizantes não contêm HIV, nem deixam ninguém vulnerável ao vírus causador da aids.

De acordo com o Ministério, grupos antivacina inventaram o termo para alegar falsamente que as vacinas contra a covid-19 causariam uma “síndrome de imunodeficiência” semelhante à aids.

Esta mentira não é novidade. Em outubro de 2021, no auge da pandemia de covid, especialistas repudiaram a avalanche de desinformação, classificando como “absurdas” declarações que associavam a vacina à aids.

Em comunicado oficial, o Unaids (o Programa Conjunto da ONU sobre HIV e Aids) reforçou que o “estigma e a discriminação relacionados ao HIV são um dos combustíveis da desigualdade”.

O Facebook retirou do ar lives de autoridades repetindo a informação falsa, que chegaram a ter centenas de milhares de compartilhamentos, amplificando a desinformação.

Em dezembro de 2023, a Justiça Federal determinou a remoção de publicaçõessobre o tema em um site e um canal do aplicativo de mensagens Telegram, após ação movida pela Advocacia Geral da União (AGU).

Novo capítulo da novela em março de 2024: grupos anticiência voltaram a divulgar a mentira, desta vez atribuindo à Universidade de Cambridge um estudo falso, supostamente comprovado que pessoas  vacinadas contra a covid-19 contraíram aids.

No Congresso Nacional, a tramitação do Projeto de Lei 2630/2020, o PL das Fake News, se arrasta desde 2020. Em meio à guerra ideológica, a matéria propõe endurecer as regras, exigindo das plataformas digitais mais transparência e controle sobre a desinformação.

“Liberdade de expressão não é sinal livre para praticar crime, seja ele de incitação à violência, racismo e LGBTfobia, exploração sexual ou ameaça à saúde pública, entre outros que podem ser cometidos no ambiente virtual. A legislação precisa acompanhar a sociedade, senão será cada vez mais difícil avançar no combate ao estigma e ao preconceito”, diz Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil.