A prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) está em risco devido à falta de financiamento e do baixo acesso a preservativos. O alerta é do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), que em seu relatório global 2025 aponta uma queda de 30% na compra internacional de camisinhas entre 2016 e 2022, na comparação com o período entre 2010 e 2015. Ao mesmo tempo, as iniciativas de promoção do preservativo em países de baixa e média renda foram reduzidas em quase 50% desde 2010, enfraquecendo tanto a promoção de seu uso quanto sua disponibilidade para populações mais vulneráveis.
O UNAIDS classifica a situação como um retrocesso e provoca a sociedade civil a agir, já que os governos compram cada vez menos preservativos para disponibilizar à população, seja por razões financeiras ou políticas. A situação é ainda mais agravada pelos cortes de financiamento em países de baixa renda, decorrentes da drástica redução de recursos de organismos como PEPFAR e USAID, ligados ao governo dos Estados Unidos.
Isso afeta diretamente a disponibilidade de preservativos, lubrificantes, aconselhamento para sexo seguro e testes para infecções sexualmente transmissíveis em países como Venezuela, Haiti, México, Cuba e Argentina. Neste último, a distribuição de preservativos caiu 64% em apenas um ano, de acordo com a plataforma de verificação de dados Chequeado.
No Brasil, o Ministério da Saúde iniciou em 2025 a distribuir gratuitamente, no SUS, mais de 400 milhões de unidades de camisinhas finas e texturizadas, além dos modelos convencionais (externo e interno). O objetivo é aumentar a adesão ao uso de preservativos, especialmente entre jovens, e reforçar a prevenção contra o HIV, hepatites virais, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O uso de preservativos também evita gravidez não planejada.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 22,8% das pessoas com 18 anos ou mais que tiveram relação sexual nos 12 meses anteriores à data da entrevista relataram usar preservativo em todas as relações sexuais. Outras 17,1% afirmaram usar às vezes, e 59% dos entrevistados relataram não usar nenhuma vez. O estudo foi feito em 2019.
Diante desse cenário, a Aids Healthcare Foundation (AHF), maior organização global na resposta ao HIV e à aids, comemora o Dia Internacional da Camisinha em 13 de fevereiro, véspera do Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados em diversos países.
Trata-se de um apelo tanto às pessoas — principalmente aos jovens — para que usem corretamente a camisinha, quanto aos governos, para visibilizar a importância de que as camisinhas estejam amplamente disponíveis para a população.
Os preservativos são o método mais econômico, acessível e fácil de usar para que as pessoas tenham uma vida sexual segura. Com um terço da população vivendo abaixo da linha da pobreza na América Latina e no Caribe, é urgente garantir que os preservativos estejam disponíveis gratuitamente e sem estigmas em centros de saúde pública, espaços de entretenimento e até mesmo nos sistemas de transporte público.
América Latina em situação crítica
Na América Latina e no Caribe, a situação é particularmente preocupante. As novas infecções por HIV aumentaram 13% entre 2010 e 2024, tornando a região uma das poucas no mundo onde a epidemia continua crescendo. Além disso, 26% das novas infecções ocorrem em pessoas de 15 a 24 anos, e 77% desses casos correspondem a homens jovens.
Quanto às ISTs que mais cresceram em nível mundial, a sífilis lidera. Entre 2020 e 2022, os casos aumentaram mais de 30% em adultos de 15 a 49 anos na região das Américas, de acordo com um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
“Na América Latina e no Caribe, o HIV continua sendo uma preocupação importante, e o aumento das taxas de IST, em particular a sífilis, deixa claro que a prevenção está falhando”, afirma Patricia Campos, diretora do Escritório da AHF para a América Latina e o Caribe. “Os preservativos continuam funcionando, são acessíveis e permitem que as pessoas se protejam, mas o acesso continua desigual e o estigma continua sendo uma barreira. Se quisermos conter novas infecções por HIV e outras ISTs, os governos devem tratar os preservativos como uma responsabilidade pública e não como um luxo pessoal.”
O Dia Internacional da Camisinha foi inicialmente proposto pela AHF em 2009. Para obter mais informações, acesse LoveCondoms.org.