O Brasil registrou 2.949 amputações totais ou parciais de pênis nos últimos cinco anos devido ao câncer no órgão genital. Além das amputações, houve 2.359 mortes pela doença. É o que mostra um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) feito com dados do Ministério da Saúde e divulgado no dia 3 de fevereiro.
Neste mês, a SBU promove uma campanha nacional de conscientização para informar a população sobre a importância das medidas de prevenção e os sinais precoces do câncer de pênis, mais comum a partir dos 50 anos. Apesar de ser prevenível e curável, o tumor de pênis ainda apresenta incidência significativa no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
A infecção pelo HPV é uma causa frequente entre os casos de câncer no pênis. Por isso, uma das principais medidas de prevenção é a vacinação contra o papilomavírus humano. O imunizante está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos e meninas de 9 a 14 anos e imunossuprimidos até os 45 anos, incluindo pessoas que vivem com HIV/aids. Até junho de 2026, também poderão se vacinar jovens de 15 a 19 anos.
Outras medidas importantes de prevenção do câncer de pênis envolvem o uso de preservativo nas relações sexuais; a higiene íntima (lavar o órgão todos os dias com água e sabão, inclusive após o sexo) e, quando indicada, a circuncisão (cirurgia para retirar a fimose, o excesso de pele que envolve a cabeça do pênis).
“Apesar de ser possível prevenir e tratar, o câncer de pênis ainda provoca o trauma de mutilações evitáveis, principalmente em decorrência do desconhecimento e do estigma. Nosso papel, como instituição de saúde coletiva, é alertar para a falta de informação, que faz com que muitas pessoas só procurem o serviço de saúde quando a doença já está avançada, dificultando o tratamento”, Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil.
SINTOMAS – Os principais são: ferida que não cicatriza na glande (cabeça) ou no corpo do pênis; sangramento sob o prepúcio (pele que cobre a glande); secreção com forte odor; espessamento, irregularidade ou alteração na cor na pele da glande; e nódulos (ínguas) na região da virilha.
FATORES DE RISCO – Os principais são: baixas condições socioeconômicas; higiene íntima inadequada; fimose (quando não é possível expor a glande, devido ao estreitamento do prepúcio, dificultando a limpeza); infecção pelo HPV; e tabagismo.
TRATAMENTO – Pode incluir remoção das lesões, uso de medicamentos ou cirurgias. Quando a doença acomete os gânglios da virilha, podem ser necessárias cirurgias adicionais nessa região, além de quimio e radioterapia.
“Nenhuma ferida no pênis deve ser encarada com vergonha ou [tratada] com remédios caseiros. Dor, odor, secreção, alteração de espessura ou coloração da pele, ou dificuldade de expor a glande exigem avaliação médica o mais precocemente possível. Em se tratando de câncer de pênis, quanto mais cedo chegar ao consultório, maiores são as chances de cura e de preservação do órgão”, explica Karin Anzolch, da Sociedade Brasileira de Urologia.