Gilead rejeita oferta do Brasil por lenacapavir, injeção semestral que previne o HIV

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Gabriela

A farmacêutica Gilead Sciences rejeitou a proposta do governo do Brasil para comprar o lenacapavir, medicamento injetável de aplicação semestral apontado como principal inovação recente na prevenção do HIV.

O Ministério da Saúde ofereceu pagar até 400 dólares por tratamento (pouco mais de R$ 2 mil), valor dez vezes maior que o cobrado de países com perfil econômico semelhante, como Indonésia, Tailândia e África do Sul.

Com a recusa, o Ministério aguarda uma contraproposta. A última reunião entre a pasta comandada por Alexandre Padilha e a empresa ocorreu no Rio de Janeiro, na última semana de julho, durante a conferência da Sociedade Internacional de Aids.

Em nota, o governo disse que as tratativas envolveram tanto a redução do preço como a possível transferência de tecnologia para o Brasil, com potencial de produção do medicamento para abastecer também outros países da América Latina.

As negociações incluem o uso do lenacapavir para profilaxia pré-exposição (PrEP) e para tratamento de pessoas que vivem com HIV. O impasse ocorre em um momento em que o governo tenta ampliar o acesso a novas tecnologias para prevenção do vírus.

A Gilead afirmou que permanece “comprometida em trabalhar de forma colaborativa” para ampliar o acesso ao lenacapavir no Brasil, que ficou fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela companhia com outros países de renda média e baixa.

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, alerta para o risco de o lenacapavir tornar-se mais um símbolo de avanço científico inacessível. “Mais uma vez estamos sendo vítimas da ganância da indústria farmacêutica”, diz.

“Na hora de fazer testes clínicos, o Brasil serve. Aqui temos o SUS, que oferece tratamento e assistência gratuita a todas as pessoas que vivem com HIV. Mas na hora de garantir acesso ao medicamento, a Gilead não enxerga pessoas, vê apenas um mercado, uma mina de dinheiro”, critica Beto de Jesus.

Definição do preço

A negociação ocorre paralelamente ao processo de definição do preço máximo de comercialização do lenacapavir no Brasil.

Após a aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) iniciou a análise do pedido de precificação, mas a Gilead entrou com recurso no fim de junho. Segundo a Anvisa, o processo deve ser concluído até setembro.

Recentemente, o Ministério anunciou dois novos acordos: um para adquirir o cabotegravir, da GSK/ViiV Healthcare, primeira PrEP injetável de longa duração que poderá ser ofertada gratuitamente; e outro para que a Fiocruz acompanhe o desenvolvimento do alimatravir, da farmacêutica MSD, comprimido de uso mensal para prevenção ao HIV ainda na fase de estudos clínicos.

Apesar desses avanços, o lenacapavir é considerado hoje o principal medicamento para prevenir a infecção, pois combina alta eficácia com apenas duas aplicações anuais.

Com informações da Folha de S.Paulo.

Faça o teste de HIV

Se der positivo, tem tratamento. No Brasil, os testes estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. As clínicas da AHF no Recife (homens e população trans) e São Paulo (qualquer pessoa) também oferecem testagem de maneira 100% gratuita e sem estigma. Os endereços estão aqui.