O mundo vai precisar de 21,9 bilhões de dólares por ano para acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030 em países de baixa e média renda.
O cálculo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) tem como base a redução de 30% a 40% nos fundos destinados à resposta ao HIV em todo o mundo entre 2023 e 2025.
Países investidores, segundo o Unaids, estariam redirecionando recursos para outras frentes.
Como resultado, cresce o temor de que cortes de verbas e ataques aos direitos humanos comprometam décadas de avanços na resposta ao HIV.
Portanto, sem apoio internacional, muitas nações atendidas pelo programa da ONU não conseguirão sustentar suas ações de prevenção e tratamento.
Mais de 200 pessoas reunidas
Na última semana, mais de 200 pessoas vivendo com HIV, ativistas, lideranças comunitárias, especialistas e representantes de governos apelaram às Nações Unidas contra retrocessos.
O alerta surgiu durante a Audiência Multissetorial na sede da ONU, em Nova York. O encontro serviu de preparação para a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre HIV/Aids de 2026, marcada para os dias 22 e 23 de junho.
Na ocasião, os Estados-membros vão negociar uma nova Declaração Política para orientar as ações globais de combate ao HIV até 2031.
Coragem e resiliência
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, destacou a importância da pressão da sociedade civil para manter a resposta ao HIV como prioridade.
“Os esforços são necessários para garantir que as decisões cheguem às comunidades. Em um mundo onde existem inovações e os recursos continuam abundantes, não há razão para não levarmos essa luta para o próximo nível”, afirmou.
Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids, declarou que a próxima Reunião de Alto Nível pode ser a última, por conta dos cortes de financiamento e dos ataques aos direitos humanos.
“A resposta à aids sempre foi impulsionada pela coragem, pela resiliência e pela recusa em aceitar a injustiça de que algumas vidas importam mais do que outras. Acabar com a aids como ameaça à saúde pública dependerá das escolhas nos próximos cinco anos”, disse.
Pressão sobre os países
Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, lembra que quanto menos dinheiro disponível em nível global, maior a pressão sobre os países, o que amplia o risco de manutenção dos programas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
“São mais de 40 anos de resposta global ao HIV. Isso envolve muito trabalho, de muita gente séria. Em resumo, não podemos agora deixar arrefecer a pressão sobre os tomadores de decisão”, resumiu.
No Brasil, a AHF mantém duas clínicas com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento de HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST). Uma fica no Recife (para homens e pessoas trans) e outra em São Paulo (para qualquer pessoa). Confira os endereços aqui.
Com informações do Unaids Brasil e da Agência de Notícias da Aids.