A aprovação do lenacapavir injetável pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) representa um avanço na prevenção do HIV no Brasil, mas também acende o alerta sobre preço justo e acesso no Sistema Único de Saúde.
Chamado de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de longa duração, o medicamento tem eficácia próxima de 100% quando aplicado a cada seis meses, uma alternativa às pílulas orais.
O lenacapavir injetável é uma das maiores apostas da ciência e dos ativistas para ampliar o acesso a métodos modernos de prevenção, tanto que a AHF vem promovendo campanhas globais e nacionais sobre o tema. “É uma ótima notícia, claro. Mas não podemos esquecer que a luta agora é por preço justo e acesso para quem precisa”, explica Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil.
Por ano, o lenacapavir custa 28 mil dólares quando usado como PrEP e 40 mil dólares para tratamento. A empresa farmacêutica Gilead, que detém o monopólio da fabricação, fez estudos clínicos no Brasil, mas o excluiu da lista de 120 países que podem produzir o medicamento a custo anual máximo de 40 dólares por pessoa.
“Fora o preço exorbitante, temos que observar a questão da propriedade intelectual. O lenacapavir é a esperança de acelerar os esforços para acabar com a aids como ameaça de saúde pública. Resta saber se o Brasil vai defender o SUS ou a indústria farmacêutica”, diz Beto de Jesus.
Em 2024, o mundo registrou cerca de 1,3 milhão de novas infecções pelo HIV, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em julho de 2025, a OMS divulgou novas diretrizes recomendando o uso do lenacapavir como opção adicional de PrEP, classificando o medicamento como a melhor opção antes de existir uma vacina eficaz contra o HIV.
“Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a aids como uma ameaça à saúde pública até 2030, uma das metas do Desenvolvimento Sustentável da ONU”, afirma Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids.
Além disso, a OMS recomenda ampliar o uso de testes rápidos para diagnóstico do HIV. No Brasil, os testes estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. As clínicas da AHF no Recife (homens e população trans) e São Paulo (qualquer pessoa) também oferecem de maneira 100% gratuita. Os endereços estão aqui.